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Tecnologia 31 de outubro de 2026 · 4 min de leitura

FCC avança com 482 MHz para conexão satélite-celular (2026): o que a votação de 29 de outubro muda para quem viaja

A FCC votou em 29 de outubro de 2026 uma proposta para abrir mais 482 MHz de espectro ao serviço de satélite direto no celular, passando de 5 para 13 bandas. O que mudou, o que não mudou e por que no exterior você ainda precisa de um plano de dados.

FCC avança com 482 MHz para conexão satélite-celular (2026): o que a votação de 29 de outubro muda para quem viaja

Na quinta-feira, 29 de outubro de 2026, a Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC) votou por avançar com o que o presidente do órgão, Brendan Carr, chamou de "o passo mais abrangente até agora para modernizar as regras da FCC para direct-to-device". A proposta disponibilizaria mais 482 MHz de espectro para o serviço de satélite direto no celular e ampliaria as bandas elegíveis de cinco para 13.

Ainda não é uma regra final. O que foi aprovado é um aviso de proposta de regulamentação (NPRM), que abre um período de consulta pública. Será preciso uma segunda votação para que algo mude na prática, e a FCC ainda não marcou data.

Antes da reunião, explicamos a disputa em nossa matéria sobre por que AT&T, Verizon e T-Mobile queriam tirar 290 MHz da proposta. Veja o que de fato aconteceu.

O que a FCC propôs

O texto, chamado "Unleashing Licensed Spectrum for Direct-to-Device", atualiza o marco de Cobertura Suplementar a partir do Espaço (SCS), adotado pela FCC em março de 2024. O SCS permite que operadoras de satélite usem o espectro terrestre das operadoras móveis para alcançar smartphones comuns, sem modificações.

Duas mudanças se destacam:

  • Mais bandas. Os 482 MHz se somariam às cinco bandas SCS atuais, chegando a 13.
  • Fim do arrendamento em escala nacional. Hoje, uma empresa de satélite precisa arrendar espectro de cada operadora que detém as mesmas frequências numa área do tamanho dos EUA continentais. Pela proposta, ela poderia certificar que tem acordos de coexistência com essas operadoras, ou que é dona da licença terrestre, e escolher uma área de licença que cubra apenas onde realmente atende.

A mesma reunião tratou, em item separado, das faixas de 1675-1695 MHz e 2020-2025 MHz, com regras de serviço antes de um possível leilão.

Por que as operadoras reagiram

Por meio da associação CTIA, AT&T, Verizon e T-Mobile pediram a retirada das bandas de 2,5 GHz e 3,45 GHz, que somam 290 MHz dos 482 MHz. O argumento é técnico: essas bandas usam duplexação por divisão de tempo, enquanto os sistemas satélite-celular costumam usar duplexação por divisão de frequência. Segundo as operadoras, cerca de 300 milhões de usuários dependem dessas duas bandas.

Em seu documento, a T-Mobile afirmou que, onde o sinal do satélite interferir, até 96% da área de cobertura de upload de uma torre poderia ser perdida e a velocidade de upload poderia cair de 88% a 99%. A operadora também lembrou que a FCC já havia rejeitado os 2,5 GHz para SCS em 2024.

O comunicado da FCC não informou se essas duas bandas ficaram na versão aprovada. A discussão agora segue para a consulta pública.

O contexto: Starlink Mobile como operadora

A votação acontece num mês em que a SpaceX vem reunindo espectro próprio. A FCC aprovou até 15 mil satélites direct-to-cell de nova geração em 6 de outubro, autorizou em 21 de outubro a compra de licenças AWS-3 sem uso da Tristar e ainda analisa o negócio pelo portfólio nacional de 800 MHz da Grain Management. A presidente da SpaceX, Gwynne Shotwell, disse que o serviço em frequências próprias está previsto para o início de 2028.

O mercado reagiu: as ações da AT&T e da T-Mobile caíram mais de 7% em 23 de outubro, e as da Verizon cerca de 1,2%. Em paralelo, em 27 de outubro a FCC aprovou a compra da Globalstar pela Amazon por US$ 11,6 bilhões, com uma frota prevista de até 5.105 satélites direct-to-device e implantação a partir de 2028.

A Europa segue o caminho oposto: em 19 de outubro, Deutsche Telekom, Orange, Telefónica e Vodafone assinaram uma carta de intenção para estudar uma oferta conjunta pelo espectro de satélite móvel de 2 GHz, cujas licenças atuais vencem em 2027.

O que isso significa para quem viaja

Para a sua próxima viagem, nada muda. É uma proposta, as regras finais não têm data e a maior parte da nova capacidade de satélite ainda está a anos de distância. Mesmo onde o satélite-celular já funciona, ele foi pensado para áreas sem cobertura: mensagens, emergências e dados mínimos quando não há torre por perto. Não substitui um plano de dados numa cidade, num aeroporto ou num hotel.

O que a votação sinaliza é um futuro em que a fronteira entre "operadora" e "provedor de satélite" fica cada vez menos nítida, e em que o celular recorre ao espaço sempre que a cobertura terrestre acaba.

Na prática

  • Continue usando dados terrestres no exterior. Um eSIM de viagem numa rede local ainda entrega muito mais velocidade e capacidade do que qualquer link de satélite em 2026.
  • Confira o suporte a satélite separadamente. Os recursos de satélite dependem do modelo do celular, da sua operadora e do país. Em geral, eles não funcionam quando você está usando um eSIM de viagem.
  • Planeje as duas coisas. Em viagens para áreas remotas, combine um eSIM de viagem para o dia a dia com os recursos de emergência via satélite que o seu celular já tem.

Se você procura um eSIM de dados para a próxima viagem, provedores como a HOLASIM permitem instalar antes de embarcar e conectar assim que pousar, enquanto as regras de satélite continuam evoluindo nos bastidores.

#FCC#Satélite#Starlink#Direct-to-Device#Regulação

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