Mesma rede, 10 vezes mais lag: Ookla mostra que o roteamento do eSIM de viagem pode multiplicar a latência por 30 (2026)
Novos dados da Ookla mostram que dois eSIMs de viagem na mesma rede local podem ter desempenho bem diferente: no Japão, a latência foi de 54 ms a 543 ms dependendo de onde o tráfego sai para a internet. Por que o roteamento importa e como verificar antes de comprar.
Dois viajantes desembarcam em Tóquio, ambos conectados à mesma rede móvel japonesa e com sinal cheio. Um abre uma chamada de vídeo e tudo flui na hora. O outro vê a imagem travar, com meio segundo de atraso. Segundo uma nova análise da Ookla divulgada em 29 de outubro de 2026, a diferença não está no sinal, e sim no caminho que cada eSIM de viagem faz com os seus dados antes de chegar à internet.
O que a Ookla encontrou
A Ookla analisou dados do Speedtest coletados no segundo trimestre de 2026 em aparelhos Android, em cerca de 190 países de destino. O estudo cobriu mais de 50 marcas de eSIM de viagem, suas redes atacadistas e seus pontos de saída para a internet. Testes marcados como feitos com VPN foram excluídos.
Os principais números:
- Até 30 vezes mais latência. Nas piores combinações de marca e destino, a latência chegou a ser 30 vezes maior que a dos usuários locais na mesma rede.
- 54 ms contra 543 ms no Japão. Na mesma rede japonesa, com condições de rádio idênticas, a latência mediana foi de 54 ms com roteamento local e de 543 ms quando o tráfego passava por Madri.
O resultado foi divulgado pela Ubigi, marca de eSIM de viagem da Transatel (Grupo NTT), que também informou velocidade mediana de download de 75,89 Mbps para o próprio serviço e 62% das amostras em 5G. Esses números de marca vêm do comunicado da empresa, então vale tratá-los como informação do fornecedor.
Um dia depois, em 30 de outubro, uma análise da Opensignal divulgada pela Holafly informou que a empresa reduziu em 29 ms a latência mediana de ida e volta em 19 mercados após adicionar novos pontos de saída em Madri, Dallas e Singapura. Também é um anúncio de fornecedor, mas aponta na mesma direção: o roteamento virou campo de disputa.
Em agosto, já tínhamos coberto esse conjunto de dados da Ookla, quando ele mostrou que a velocidade dos eSIMs de viagem pode variar até 10 vezes. O novo dado sobre roteamento explica boa parte dessa diferença.
Por que o roteamento importa mais que o nome da rede
Quando você usa um eSIM de viagem, o celular se conecta a uma rede local, mas os seus dados não necessariamente saem para a internet no país que você está visitando. Muitos eSIMs de viagem usam perfis de roaming que enviam o tráfego para um gateway em outra região, muitas vezes onde fica o fornecedor atacadista. Esse gateway é o "ponto de saída", ou breakout.
Cada mil quilômetros a mais aumentam o atraso. Para baixar um arquivo ou carregar um mapa, algumas centenas de milissegundos quase não fazem diferença. Para tudo que é interativo, fazem:
- Chamadas de vídeo e voz (WhatsApp, FaceTime, Zoom) ficam travadas e as pessoas falam umas por cima das outras.
- Jogos online ficam impraticáveis com 500 ms.
- Alguns apps e sites locais acham que você está em outro país, o que pode afetar apps de transporte, bancos ou catálogos de streaming.
Por isso um plano que promete "5G na melhor rede local" ainda pode decepcionar. Como mostramos na matéria sobre quais eSIMs de viagem realmente oferecem 5G no exterior, o nome da rede na tela é só metade da história.
O que se cobra da indústria
A Ubigi defendeu que os viajantes precisam de informações mais claras sobre fatores que hoje são quase invisíveis: acesso real ao 5G, políticas de redução de velocidade, localização dos pontos de saída para a internet e se o fornecedor controla a própria arquitetura de rede. Nada disso aparece hoje de forma padronizada nas páginas de produto.
Como verificar o roteamento do seu eSIM de viagem
Não precisa de ferramentas especiais:
- Veja a localização do seu IP. Já conectado no destino, abra qualquer site de "qual é o meu IP". Se você está em Tóquio e aparece Espanha ou Singapura, seu tráfego sai longe.
- Faça um teste de velocidade e anote o ping. Abaixo de uns 100 ms, a conexão parece local. Várias centenas de milissegundos indicam um desvio longo.
- Pergunte antes de comprar. O suporte geralmente consegue dizer por onde o tráfego sai em cada país.
- Teste cedo. Instale antes da viagem e confira ao chegar, enquanto ainda dá para trocar.
Na prática
Na hora de comparar fornecedores, olhe além do preço por GB. Se você depende de chamadas de vídeo, trabalho remoto ou apps de navegação, o roteamento pode pesar tanto quanto a franquia de dados. Procure avaliações que medem latência, teste ao chegar e tenha um plano B. Seja com a HOLASIM, a Holafly, a Ubigi ou outro fornecedor, perguntar "por onde saem os meus dados?" virou uma das perguntas mais inteligentes antes de viajar.